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Raul do Quê: Fear and Loathing On The Road


Olá, Julien. Como estão as coisas?
Compadre, desculpe a demora. Gostaria de ter
escrito antes, como prometi a você quando deixei o
Chile e voltei ao Brasil, mas me tornei mais uma
engrenagem proletária da rotina cosmopolita,
operário da informação que faz as boas novas
voarem mais rápidas que as andorinhas do sul.
Nunca é tarde para lembrar de um amigo, e de
repente você está na ponta dos meus dedos
enquanto, através deles, minha história escolhe os
verbos nesta carta para você. A gente se fala pouco,
mas sei que moro em algum lugar aconchegante das
suas boas memórias. Porque, meu velho, ainda levo
muito da sua sinceridade no coração.
Como vai a Fabiola? Ela me enviou uma mensagem
esses dias dizendo que vocês não estão mais
morando juntos, mas que seguem apaixonados.
Talvez esse seja um dos poucos imperativos de vida
com que me deparei, afinal, vocês já estavam
apaixonados naquele janeiro de 2007, quando nós
três dividimos apartamento por essas paragens de
Santiago. Foi lá que percebi que estava ao lado de
grandes amigos. Quando voltei para o Brasil,
perdemos contato pela primeira vez. A gente
bobeou, de verdade, não é sempre que cruzamos
 
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